Passado...onde estás?

O ontem nunca teve tão longe e tão perto como está hoje, talvez porque esteve a desistir de te encontrar.
O mais engraçado é que nunca pensou que pudesses estar tão perto.
Onde foste?
Aliás... de onde vieste?
Não sei, mas sinto-me tonta de pensar por onde poderás ter andado.
Sei que agora estás por aí algures à minha procura... mas olha eu estou mesmo aqui... num sussurro explico-te o que me roubou o brilho do teu amor e tu entendes condolente.
Deste modo e tentando evitar o inevitável percorro cada olhar teu na tentativa de deslindar o que te consome mas nada acho, pois não existe nada mais para achar que a dor de te ter perdido mesmo antes de te ter...
Se o és?! É provável mas de que serve confirmar-te? Sofres menos por isso; melhor abandonas-me com o insano desejo de teres algo à tua espera?
Na! Sou apenas a voz da consciência a dizer que já não és o sentido que percorro mas sim aquele que escolhi outrora para o meu rumo.

Das cores que deixas-te, o pouco da paleta ressequida, talvez consigas terminar a obra que deixas-te com a magia noutro tempo usada na imperfeição da tua inquietude e incerteza... ou será insegurança negra?
Vês...mais uma cor.. mais um motivo para esqueceres que um dia fui simplesmente a cor, o amor, o viver, o sorrir, o calor e todo um mundo no teu caminho...

Contratempo seria talvez o nome ideal deste desabafo...

Mas afinal é só mais um desabafo.

E não passará de mais um caminhar sozinha...

Obrigada

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